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Veja aqui informações gerais sobre tecnologia persuasiva, incluindo livros, artigos e demais referências na área

Do que os passageiros gostam?

Recentemente eu e meus co-autores publicamos este artigo entitulado “Do que os passageiros gostam? Entendendo o valor de inovações para melhorar experiências”. Nele descrevemos um estudo quantitativo, baseado em questionários na internet, para identificar quais inovações os passageiros de trens gostariam de ver implementadas, para melhorar a “experiência do usuário”, fazer com que a viagem deles seja mais agradável.

Tecnologias inovadoras têm o potencial de fornecer informações atualizadas e serviços personalizados para passageiros de trens, e com isso melhorar a experiência durante as viagens. Entretanto, existe uma falta de conhecimento sobre quais inovações e serviços são preferidos pelos usuários de trens.

A proposta do estudo era entender o valor que os passageiros dão para inovações tecnológicas que poderão ser criadas para melhorar experiências durante viagens de trem. Uma técnica chamada análise conjunta (conjoint analysis) guiou a criação de um questionário baseado na técnica “escala de preferência melhor-pior”. Com isso, determinamos como 398 passageiros valorizam alguns recursos de sistemas propostos para melhorar a experiência de passageiros no Reino Unido.

Desenvolvemos uma lista contendo 10 recursos que poderiam ser implementados, com base numa revisão de literatura, e com observação dos avanços tecnológicos recentes. A lista completa dos itens propostos é a seguinte:

  1. Habilidade para procurar, reservar ou alterar o seu assento antes ou mesmo durante a viagem
  2. Orientações mostradas no seu telefone para te ajudar a encontrar sua plataforma de embarque e o assento no seu vagão
  3. Acesso a informações em tempo real mostrando o nível de ocupação dos trens atuais e futuros
  4. Habilidade de validar o seu tíquete eletronicamente no seu assento, para que você não necessite apresentar o tíquete para inspeção
  5. Informações sobre a sua estação de destino, como detalhes dos ônibus, números de telefones para táxis, etc.
  6. Habilidade de ganhar recompensas através de um plano de fidelidade e acumular pontos para compras nas empresas de trens e também em parceiras
  7. Habilidade para pedir serviços especiais antecipadamente, como lanches ou a assistência do pessoal de bordo
  8. Compensação financeira automática para você no caso de atrasos ou cancelamentos de trens
  9. Acesso a informações em tempo real como hora de chegada e rotas alternativas em caso de atrasos e congestionamentos na rede ferroviária
  10. Um diagrama mostrando os assentos livres e ocupados dos trens diretamente no seu telefone, em telas no trem e na plataforma

Os resultados mostraram que uma forma de compensar os passageiros financeiramente no caso de atrasos ou cancelamentos de trens obteve o maior valor. A habilidade de pedir serviços especiais antecipadamente foi avaliada como o pior recurso do sistema. Resultados adicionais incluem a segmentação das respostas de acordo com o tipo de passageiro, por exemplo passageiros que usam trens como condução para o trabalho todo dia, pessoas em viagens de negócios esporádicas, e aqueles que usam trens em viagens de lazer de vez em quando. Também observamos quais eram as semelhanças e diferenças nas respostas de pessoas em geral em comparação com aqueles que trabalham diretamente com transporte ferroviário, portanto mais conhecedores dos problemas do setor.

Preferência média de todos os passageiros pesquisados

O conhecimento gerado por esta pesquisa sugere quais recursos deverão ser priorizados para melhorar as experiências dos usuários durante viagens de trens no Reino Unido.

A referência completa do artigo é:

Oliveira L, Bruen C, Birrell S, Cain R (2019) What passengers really want: Assessing the value of rail innovation to improve experiences. Transportation Research Interdisciplinary Perspectives 1:1–9. https://doi.org/10.1016/j.trip.2019.100014

Preferimos que os veículos autônomos dirijam como robôs ou humanos?

A confiança e aceitação de passageiros e pedestres será fundamental para o futuro e desenvolvimento de veículos autônomos. Aqui na universidade de Warwick conduzi um estudo, juntamente com meus colaboradores, para verificar qual estilo de direção as pessoas preferem nos veículos autônomos. Medimos os níveis de confiança comparando dois estilos: um veículo programado para dar a impressão que ele dirige como um motorista humano comum, e outro como uma máquina, privilegiando a eficiência no tráfego.

Nós convidamos 43 voluntários para participar da pesquisa, que vieram para um galpão grande onde criamos um circuito que simulava uma área de trânsito misto num centro de cidade, onde carros e pedestres compartilham o mesmo espaço. Incluímos também as esquinas e cruzamentos onde os veículos tiveram que “negociar” a passagem. Todos os voluntários testaram o veículo 4 vezes, tendo a experiência de um dos dois estilos de direção.
Metade dos participantes andou no veículo programado como um robô, que dava a impressão que estava usando vários recursos tecnológicos modernos para dirigir com segurança e eficiência.
A outra metade dos participantes andou no veículo programado para simular o padrão de direção de uma pessoa comum. Depois, medimos os níveis de confiança, e os resultados estão publicados no jornal de acesso aberto, que pode ser lido gratuitamente no jornal Information, no endereço http://doi.org/10.3390/info10060219 (em inglês).

Veículos autônomos negociando um cruzamento ou uma esquina

O resultado geral é que encontramos uma pequena diferença na confiança entre os dois estilos de direção. O robô eficiente obteve uma vantagem em termos de preferência mas que foi diminuindo ao longo das 4 viagens no veículo. Como não há diferença significativa entre os dois modos de dirigir, talvez uma combinação desses métodos seja a solução.

O que foi notado, entretanto, é que para ambos estilos robô e humano, a confiança aumentou a cada viagem, sugerindo que a simples familiarização vai ser uma das formas mais eficientes de aumentar a confiança em veículos autônomos, quando as pessoas ficarem mais acostumadas com a existência deles nas ruas.

Para fornecer resultados mais robustos, nós combinamos estes resultados quantitativos com uma parte qualitativa. Além de questionários sobre a confiança, nós também pedimos para os participantes descreverem a experiência que tiveram, durante uma entrevista semi-estruturada. Isso permitiu uma maior compreensão das vantagens e desvantagens de ambos modos de dirigir.

Uma reclamação comum era o sentimento de que o veículo estava fazendo curvas fechadas, ou acelerando e freando bruscamente. Este desconforto era sentido em ambos estilos, mas mais frequentemente quando o veículo dirigia como um robô. Um comentário típico era: “o que a gente espera é uma curva gradual… teve momentos que ele estava acelerando nas curvas, e isso te pega desprevenido”. Isso indica que a velocidade e trajetória desses veículos deve ser controlada minunciosamente, mas ao mesmo tempo o veículo deve ser assertivo e determinado, para prover os benefícios dos veículos autônomos.

Entretanto, foi o comportamento dos veículos nos cruzamentos que gerou os comentários e reações mais diversas entre os participantes. Na primeira parte do experimento os veículos simulavam o modo de dirigir de um motorista comum. Ao se aproximarem das esquinas, os veículos sempre reduziam a velocidade, como se estivessem “olhando” se a via estava livre e se podiam prosseguir. Caso notassem que o outro veículo se aproximava, eles paravam e davam a preferência.

A outra parte do experimento teve os dois veículos dirigindo como robôs, simulando que recebiam informações sobre a presença de outros veículos fora do campo de visão. Se os sensores e as formas de de comunicação com outros veículos diziam que a via estava segura e que não havia outras ameaças se aproximando, os veículos sabiam se podiam virar a esquina com segurança. Então, entravam na via sem reduzir a velocidade ou parar. Se o Sistema detectava um veículo que deveria ter a preferência, mesmo se que ele não estivesse no campo de visão do passageiro, o veículo parava e deixava o outro passar.

As reações a estes dois modos diferentes foram variadas e surpreendentes. Alguns participantes gostaram do estilo humano, com um deles dizendo que ele estava “…provavelmente tentando inspirar confiança no passageiro, eu acho, em termos do jeito que ele se comportava, meio que semelhante a um humano, já que só vai inspirar confiança assim, eu acho, é poque é assim que estamos acostumados”.

Outros também gostaram do jeito robô, parando na esquina mesmo se não tinha alguma coisa visível, mas porque estava comunicando com outros veículos for a do campo de visão. Um participante disse que “ele parou na esquina, porque eu acredito que ele sabia que algo estava vindo, ao invés de reagir ao ver alguma coisa vindo”.

Igualmente, teve comentários negativos a respeito de ambos estilos de direção ao lidar com a situação as esquinas. Alguns perceberam problemas com o jeito robô de virar a esquina direto por acreditar que o caminho estava livre, por exemplo com relação a usuários vulneráveis, “…tipo pedestres e ciclistas que poderiam estar ali e não comunicam com o veículo. Deve haver uma maneira mais segura de agir ao invés de entrar voando na esquina”.

Entretanto, outros ficaram bem surpresos com o estilo humano de dirigir, com o veículo parando a cada esquina, já que lhes pareceu um desperdício das capacidades da tecnologia. As novas tecnologias permitem que carros façam uma “varredura” da via com os sensores e se comuniquem com outros veículos. Participantes disseram ficar frustrados com o fato do veículo não ser “mais assertivo”. Um participante disse que “às vezes eu não esperava que ele fosse parar, porque eu pensei que o outro veículo estava um pouco distante mas ele parou, então eu acho que ele é cauteloso… se eu estivesse dirigindo eu provavelmente já teria ido”. Outro passageiro disse que “se eu estivesse em um veículo autônomo dando visão de 360º a todo momento, eu esperava que ele soubesse instantaneamente se é seguro ou não, sem a necessidade de reduzir a velocidade”.

Um outro passageiro que testou o veículo dirigindo como uma pessoa comentou que um robô se comportando como um humano e tentando olhar pros lados na esquina pareceu ironicamente artificial: “eu acho que foi um pouco inesperado porque minha expectativa com veículos autônomos era que existiria certa artificialidade ao invés de um motorista humano”.

Apesar desta aparente quantidade de contradições em termos de como veículos autônomos devam negociar as esquinas uns com os outros, acreditamos que há importantes lições a serem aprendidas. Particularmente:

  • Há uma clara necessidade de informar ao público geral os detalhes sobre os sistemas que governam veículos autônomos, por exemplo, os recursos tecnológicos recentes como a comunicação de um veículo a outro
  • Deve-se considerar a instalação de telas para compartilhar as informações que o veículo está usando, para que passageiros num veículo compreendam que o sistema está ciente dos riscos localizados além do campo de visão
  • Os recursos mais eficientes de condução de veículos autônomos devem ser apresentados progressivamente, começando com as habilidades básicas quando essa tecnologia for introduzida inicialmente, até a aplicação de todos recursos quando veículos autônomos estejam mais divulgados, para que passageiros possam criar a confiança com o tempo.

Após uma divulgação desta pesquisa pelo departamento de comunicação da Universidade de Warwick, esta pesquisa recebeu bastante interesse de sites de tecnologia e blogs na internet. Atualmente existem mais de 12 sites com links para o artigo, em inglês, chinês, italiano e este em português.

A citação completa do artigo é:

Oliveira, L., Proctor, K., Burns, C., & Birrell, S. (2019). Driving style: how should an automated vehicle behave? Information, 10(6), 1–20. https://doi.org/10.3390/info10060219

Privacidade infantil

Saiu no jornal Guardian desta semana que a atriz Gwyneth Paltrow colocou uma foto dela e da filha numa estação de esqui no Instagram, para seus mais de 5 milhões de seguidores. A foto mostra a mãe e filha, chamada Apple Martin, no chairlift. Algum tempo depois a filha comentou na foto algo do tipo: “Mãe nós já discutimos isso. Você não pode postar nada sem meu consentimento”. A mãe respondeu “não dá nem pra ver seu rosto!”. Apple está usando um óculos de ski que cobre bastante o rosto.

O comentário, que já foi apagado, levanta a discussão a respeito da privacidade de crianças e adolescentes na internet. Muitos pais se sentem no direito de publicar tudo sobre seus filhos, desde a imagem do ultrassom, até fotos constrangedoras dos filhos.

Alguns seguidores criticaram a filha por brigar com a mãe publicamente, outros apoiaram a decisão da Apple dizendo que a adolescente tem o direito de reclamar, já que é a imagem dela que está sendo compartilhada com milhões de pessoas.

Parece que esta será uma discussão que vamos ver mais frequentemente nos próximos anos, quando as crianças de hoje crescerem e notarem que foram super expostas pelos seus pais nas redes sociais. As crianças pequenas não têm controle sobre o que os pais publicam, mas têm o direito sobre a suas imagens. Quando crescerem, vão começar a querer ter controle sobre o que está exposto a respeito deles na internet. Será que vai chegar um dia que filhos vão entrar na justiça contra os próprios pais devido a dano à imagem?


Carregamento sem fio de veículos elétricos

Londres e outras cidades do Reino Unido estão incentivando o uso de táxis elétricos, como o da foto acima. Estes veículos possuem uma bateria que pode ser carregada à noite ou outros momentos quando o veículo não está sendo usado. Mas táxis são usados bastante durante o dia e até mesmo durante a noite, e uma bateria cheia de carga pode não ser suficiente para durar o dia todo. Com isso surgem ideias de métodos alternativos de recarga. Uma das possibilidades é carregar de pouco a pouco durante o dia. Mas isso seria inconveniente se o motorista tiver que sair do carro e conectar um cabo toda vez que pára. Outra saída seria utilizar carregamento sem fio, como já existe para celulares e outros dispositivos como smart watches.

Este ano comecei a trabalhar no projeto WiCET, com o qual estamos pesquisando carregamento sem fio de táxis elétricos (Wireless Charging for Electric Taxis). A intenção do projeto é avaliar a viabilidade de pontos de recarga instalados onde os taxistas esperam por passageiros.

Novos taxis londrinos em demonstração na Universidade de Warwick

O projeto é uma colaboração internacional entre grandes empresas, universidades, institutos de pesquisa e o poder público. Temos a IHI do Japão, que produz a infrastrutura dos sistemas de carga sem fio. A ParkingEnergy, da Finlândia, é responsável pelos sistemas de distribuição de energia, cadastramento de usuários e cobrança. Temos como parceiros acadêmicos o Cenex, da Universidade de Loughborough, e nós, o grupo de pesquisa de experiência do usuário e engenharia da WMG, Universidade de Warwick. O poder público está representado pela secretaria de transporte de Londres e a prefeitura da cidade de Nottinham.  A agência financiadora é a Innovate UK.

Passageiro flagrado descendo do novo táxi elétrico de Londres

O WiCET permite uma oportunidade única para demonstrar a viabilidade e os benefícios financeiros, operacionais e técnicos de recarga sem fio para taxis elétricos. Este tipo de iniciativa ajuda na estratégia do governo do Reino Unido de atingir “zero emissões”, provendo transporte que não emite poluentes nos centros das cidades.

A primeira fase do projeto involve o estudo de viabilidade para determinar o potencial para carregadores sem fio de táxis elétricos. Se essa primeira fase obter sucesso, o consórcio vai se inscrever para a segunda fase, com a demonstração comercial e técnica, com a implementação prática da tecnologia em locais específicos em Londres e Nottingham.

Visualização 3D do novo táxi elétrico de Londres (Fonte: site do fabricante LEVC – London Electric Vehicle Company)

O nosso trabalho com a WMG está focando na experiência do usuário, contactando os taxistas, operadores de frotas de táxis, e planejadores urbanos para entender as possibilidades desta nova tecnologia. Também vamos ouvir deles as barreiras e desafios para a implementação destes carregadores.

Os potenciais benefícios para os taxistas são a facilidade de carregar o carro sem precisar de ligar um cabo, e com a possibilidade de fazer isso em diversos locais onde a tecnologia for instalada. É possível colocar estes carregadores diretamente nos pontos de táxi, onde os veículos já ficam parados a espera de passageiros. Com isso o taxista não precisa sair da sua rota para achar um carregador. Mas algumas limitações da tecnologia podem apresentar complicações. Por exemplo, é necessário que o veículo esteja perfeitamente alinhado com o carregador, com uma margem de erro de 10 centímetros, para que a carga seja eficiente.

Visualização 3D do novo táxi elétrico de Londres (Fonte: site do fabricante LEVC)

Outro detalhe é a localização onde estes carregadores devem ser instalados. Nos pontos de taxi existe uma fila que os motoristas devem respeitar, e o veículo da frente tem preferência para angariar passageiros. Se o veículo elétrico tem que ficar por alguns minutos no mesmo local, como isso vai afetar a dinâmica da fila? Como será a interação entre veículos elétricos e tradicionais nos pontos de táxi, quando ambos tipos de carros utilizam o mesmo ponto, mas os táxis elétricos precisam parar em determinados locais na fila? Será necessário criar vagas exclusivas para veículos elétricos? Como isso será administrado no contexto de uso e ocupação do solo? Estas e outras questões é que nós vamos explorar em entrevistas e grupos focais nas próximas semanas. Os resultados serão fundamentais para informar os requisitos do sistema e definir a melhor forma de implementar esta tecnologia.

A arte de gritar silenciosamente

Ganhei este livro recentemente, e achei interessante as colocações que o autor faz (The Art of Shouting Quietly), escrito por Pete Mosley. Ele apresenta um guia para autopromoção, especialmente focado para pessoas introvertidas ou tímidas.

Como em outros livros de autoajuda semelhantes, existem algumas páginas com exercícios onde o leitor descreve sua situação atual, ou faz alguma reflexão, por exemplo para listar as coisas que gosta de fazer, as coisas que você sabe fazer bem, e observar sua procrastinação.

É um pouco difícil ser uma pessoa quieta e reservada hoje em dia, enquanto os outros estão se promovendo em eventos e nas redes sociais.

Mas é possível ser introvertido e tímido, basta usar estas características a seu favor. O primeiro passo seria focar nos aspectos positivos ao invés de fraquezas.

Primeiro, dê tempo ao tempo, você não precisa reagir rapidamente, dar aquela resposta importante na hora. Neste momento você pode usar de reflexão e análise para chegar a uma conclusão mais adequada. Temos o direito de levar tempo. Pessoas introvertidas geralmente conseguem avaliar as situações, pesar as evidências e perseverar até conseguir uma solução adequada.

Pessoas introvertidas naturalmente falam menos e consequentemente escutam melhor as outras. Elas são determinadas e conectadas, e são também mais atentas às coisas, passo fundamental para chegar à mindfulness.

Um ponto importante é ter claro seus valores e objetivos, seja salvar o planeta, melhorar sua comunidade, fazer alguma coisa melhor, o que quer que seja. Seus valores vão facilitar criar empatia com os outros, melhorar relacionamentos, construir parcerias e permitir atingir seus objetivos.

O livro possui 162 páginas, com estes e outros temas para te ajudar a se promover e evitar os percalços enquanto procura sucesso no que faz. Um desses problemas é a chamada “síndrome do impostor”. Mesmo sendo competentes e habilidosas no que fazem, algumas pessoas se sentem uma fraude, e se convencem de que não merecem o sucesso e prestígio atingido. É preciso reconhecer o problema, observar onde ele está te prejudicando, e saber que você merece suas realizações. Talvez você precise se cercar de pessoas positivas e que te dêem suporte para ser alguém melhor.

Interfaces para controlar veículos totalmente autônomos

Mês passado fui a Toronto, no Canadá, para apresentar uma pesquisa recente que realizamos aqui na Universidade de Warwick. A conferência se chama Automotive UI, ou interfaces do usuário automotivo. Diversos pesquisadores de várias partes do mundo se juntaram por três dias para apresentar suas pesquisas e discutir tópicos diversos em oficinas. O trabalho que apresentei foi conduzido no meu grupo de pesquisa como parte do projeto chamado UK Autodrive. O título do trabalho, escrito e apresentado originalmente em inglês, pode ser traduzido como algo do tipo “Avaliando como as interfaces influenciam a interação do usuário com veículos totalmente autônomos”.

Apresentando na oficina sobre novos meios de transporte

Com o aumento da automação veicular, ocupantes de veículos totalmente autônomos provavelmente vão ficar completamente desligados das tarefas relacionadas à direção. Os motoristas serão na verdade passageiros, já que o veículo terá todo o controle. É previsto que no futuro, veículos autônomos não terão pedais nem volante. Entretanto, mesmo sem estar envolvido com a direção, as pessoas inda necessitarão de interfaces entre o veículo e os passageiros. Existirão ainda atividades para serem realizadas em telas e displays.

O veículo usado nesta pesquisa, chamado de ‘pod’, é um meio de transporte de baixa velocidade para curtas distâncias, para ser usado em áreas onde pedestres andam, por exemplo em quarteirões fechados nos centros da cidades, em aeroportos, centros comerciais, parques, etc.

Este estudo avaliou combinações e configurações de telas diferentes, que forneceram aos ocupante algumas informações relacionadas à operação do veículo. Os passageiros puderam controlar o destino final do veículo, mudar o trajeto e parar o veículo, além de acompanhar o progresso da viagem e saber o tempo até o destino. Foram apresentados para os passageiros sistemas baseados num tablet fixado dentro do veículo com o mapa e os botões para se trocar o destino, parar o veículo, etc. Uma interface semelhante também foi apresentada num smartphone, já que usuários poderiam usar seus próprios telefones para controlar estes detalhes da viagem.

Controle do veículo autônomo através do celular

Questionários e entrevistas foram usados para medir a confiança, usabilidade, dificuldade e experiência depois que os usuários foram guados por um veículo totalmente autônomo.

Os resultados mostram que os participantes neste estudo ainda querem monitorar o estado do veículo e ver detalhes sobre a viagem, incluindo um mapa da rota e informações relacionadas. Observamos uma preferência para que o controle de aspectos da viagem fosse feito através do tablet, combinado com uma tela que fornecesse também informações gerais. O telefone não foi preferido para estas atividades por três motivos principais:

  1. Os usuários disseram que não queriam usar seus telefones pessoais por causa da ansiedade causada pelo receio de ficar sem bateria. Usar o celular com GPS sem estar sendo carregado consome muita bateria, e os participantes não queriam correr o risco de ficar sem bateria enquanto estivessem controlando um veículo. Talvez conseguissem carregar com um cabo no veículo, mas como se trata de um veículo de transporte semi público, fica um pouco mais complicado. E também, carregar o próprio telefone usando a bateria de um veículo elétrico vai apenas transferir o problema para o veículo, que também pode sofrer com pouca bateria. Usuários de carros elétricos sofrem do que é chamado ‘range anxiety’, quando ficam preocupados se a quantidade de carga restante na bateria vai ser suficiente para chegar até o destino ou até o ponto de carga mais próximo.
  2. Participantes também falaram que não gostariam de usar seus telefones pessoais porque eles são geralmente usados para outras atividades, como ler notícias, acessar redes sociais, etc. Se usarem o telefone para controlar o veículo, teriam que ficar com o aplicativo do veículo aberto, para controlar o destino, mudar a rota, ver o mapa, etc.
  3. Os usuários também comentaram que não gostariam de ter que ficar com o telefone na mão enquanto observam os detalhes da viagem. Olhar para uma tela dentro do veículo seria melhor, já que o tablet era dedicado apenas a esta atividade e tinha o mapa aberto a todo o tempo.

O artigo apresentado na conferência também apresenta recomendações para o design dos dispositivos e interfaces para o controle de veículos autônomos. Estes dispositivos possuem o potencial de melhorar a interação do usuário com veículos autônomos do futuro.

Referência:

Oliveira, L., Luton, J., Iyer, S., Burns, C., Mouzakitis, A., Jennings, P., Birrell, S.: Evaluating How Interfaces Influence the User Interaction with Fully Autonomous Vehicles. In: Proceedings of the 10th International Conference on Automotive User Interfaces and Interactive Vehicular Applications – AutomotiveUI ’18. pp. 320–331. ACM Press, New York, New York, USA (2018) https://doi.org/10.1145/3239060.3239065

Valorizando a lentidão

Comprei este livro há anos, onde o autor, Carl Honoré, apresenta uma celebração à vagarosidade, e introduz o pensamento Slow: Como um movimento mundial está desafiando o culto à velocidade (In Praise of Slow). Ironicamente, não tinha encontrado tempo pra ler, e só agora consegui ver do que se trata. Coloco aqui algumas das ideias apresentadas neste livro, que complementa bem o que tenho dito por aqui, que estamos ficando muito estressados com o excesso de tecnologia ao nosso redor.

O autor conta que teve a ideia do livro ao ler uma notícia dizendo que vários autores publicaram um livro de histórias infantis chamado ‘Histórias de ninar em um minuto’. Ele falava de uma coletânea de histórias clássicas que foram condensadas para serem lidas rapidamente. Com isso os pais não precisam mais gastar muito tempo com as crianças na hora delas dormirem. Apesar de parecer uma ótima ideia, na verdade é uma prova de que a vida moderna está muito rápida, e não temos tempo pra passarmos tempos relaxados com a família.

O stress causado pela pressa e necessidade de fazer tudo rápido afeta a saúde física e mental. Estamos sofrendo de hipertensão, ansiedade, insônia, depressão e várias outras sequelas do ritmo acelerado no qual nos colocamos. O autor propõe que fazer as coisas mais vagarosamente pode ser melhor, resultando em saúde melhor, trabalho melhor, negócios melhores, vida familiar melhor, exercícios melhores, culinária melhor, e sexo melhor.

É possível evitar levar a vida de modo rápido, controlador, agressivo, apressado, analítico, estressado, superficial, impaciente, ativo, e buscando a quantidade ao invés da qualidade. A lentidão proposta seria o oposto, de modo calmo, cuidadoso, receptivo, quieto, intuitivo, sem pressa, paciente, reflexivo, com qualidade ao invés de quantidade.

O autor cita diversos grupos de pessoas que sugerem a lentidão como sendo o estilo de vida adequado para combater o estresse da vida moderna. Essas recomendações vêm de pesquisadores, associações, grupos de ajuda, profissionais de saúde e também religiões. Mas ele deixa claro que não é contra o estilo de vida moderno. Ele defende um balanço, um equilíbrio entre coisas rápidas e lentas.

Um capítulo é dedicado a comida. Com tantas lanchonetes de fast food, as pessoas estão se alimentando com comida de qualidade duvidosa. Mas ao ganhar tempo, perde-se o prazer da arte culinária, e o mais importante, que é o processo de compartilhar uma refeição com outras pessoas. Pode-se apenas engolir comida para matar a fome e continuar no ritmo acelerado da vida. Ou, por outro lado, pode-se usar a hora da refeição como um momento para saborear os alimentos, e aproveitar este tempo para interagir com outras pessoas e viver bons momentos.

Outro capítulo trata de cidades, com o exemplo de pequenas cidades italianas que resolveram promover o estilo de vida slow, como slow food. Mas isso não quer dizer que estão indo contra a modernidade, mas que incentivam a tecnologia que melhora a qualidade de vida. Por exemplo, as prefeituras preferem ônibus elétricos, silenciosos e sem fumaça. Promovem também os alimentos orgânicos, produtos artesanais e feitos na região.

O autor fala ainda do corpo e mente, já que ‘mente sã, corpo são’. Tem também capítulos para a saúde e medicina, sexo, trabalho, lazer e família. O que o movimento Slow propõe é um meio caminho, juntando o estilo dos vilarejos italianos com o dinamismo da era da informação. O segredo é balanço.

Passar tempo com amigos e família não custa nada. Também se pode caminhar, cozinhar, meditar, amar, ler, almoçar na mesa ao invés de na frente da TV, e jantar sem ficar checando o celular. Evitar a pressa e a urgência é de graça.

Ao se fazer as coisas com calma, é possível aproveitar mais, e sentir mais prazer com o que fazemos na nossa vida.

Metas Diárias do Tom Daley

Ganhei este livro de uma amiga e colega de trabalho e adorei: Tom’s Daily Goals. O subtítulo promete “nunca se sinta com fome ou cansado novamente” e lista “7 passos fáceis pra viver sua melhor vida”. Tom Daley é o atleta e medalhista olímpico britânico, com medalha de Bronze em Londres’12 e Rio’16. Ele dá umas dicas realmente boas, pra saúde física e também mental. O livro é bem editado, com 220 páginas de dicas e muitas fotos, e teve a colaboração de vários profissionais como nutricionistas, treinadores, designers e escritores.

A primeira parte é sobre movimento, sobre como manter o corpo saudável com exercícios e alongamentos. Depois ele fala sobre pensamento positivo e cuidado mental, essenciais para um atleta. Ele menciona modos para melhorar o sistema imune, e dedica varias paginas a comida, com receitas, preparo e dicas. Destaque para o sorvete natural cuja base é banana, com sabores de canela, nozes ou frutas vermelhas. Depois ele dá dicas de como evitar o estresse e aumentar a resiliência.

Mas você deve estar se perguntando o porquê de um livro de receitas de um atleta estar neste site sobre tecnologia. É que no sexto capítulo ele fala sobre detox digital, um assunto que venho abordando há tempos nesse site. Semana passada postei sobre os 10 argumentos para deletar as contas nas redes sociais. E estas dicas reunidas para se desentoxicar do meio digital complementam bem este conteúdo, motivando a ter moderação no uso das redes sociais, talvez como um passo antes de sair completamente.

Pesquisas mostram que algumas pessoas checam os seus telefones celulares 200 vezes por dia, e que mantemos o celular ao alcance da mão em 95% do tempo. A nossa dependência na tecnologia não é apenas pela capacidade de facilitar nossa vida. Muitas vezes há adicção de verdade. Isso acontece porque cada vez que recebemos uma mensagem ou uma notificação, há a liberação de uma dose de dopamina. Esse neurotransmissor está ligado aos mecanismos de prazer e nos motiva a procurar mais dessas recompensas. Por isso existe uma compulsão  na busca por notificações.

Fica difícil se concentrar no trabalho, nas pessoas ao seu redor, ou nas tarefas off-line com essa competição por atenção, principalmente se você recebe muitas notificações. Sem contar o tempo que se gasta pra ler e processar a informação. Em muitos casos precisamos de agir, seja responder à mensagem, checar a foto, encaminhar o conteúdo, etc. As pessoas acabam ficando ansiosas tentando lidar com tudo isso, ou acabam não dedicando a atenção necessária, o que pode gerar culpa.

Mas como se desconectar dos nossos dispositivos? Uma alternativa é através do chamado detox digital. Por um período de tempo, seja umas horas, dias ou semanas, não use nenhuma forma de tecnologia digital, principalmente as redes sociais. Isso tem sido uma oportunidade usada para se re-engajar com o mundo e desestressar. Mesmo que possa parecer difícil no começo, os resultados são significativos. Passar um tempo longe do seu telefone vai te deixar mais descansado, presente, alerta, feliz e no fim das contas, mais produtivo.

Talvez seja hora de dar um tempo se:

  • você está sempre com o telefone na mão
  • você está sempre pensando na sua próxima foto no Instagram ou post no Facebook
  • você rola sua timeline automaticamente e sem pensar, e duas horas depois você se dá conta do tempo
  • você fica ansioso porque acha que precisa atualizar sua presença online
  • você faz alguma coisa só pra postar na rede social
  • você faz muita comparação, achando que os outros têm uma vida da mais excitante ou têm mais sucesso que você
  • você está encontrando seus amigos de verdade com menos frequência

O autor dá estas dicas práticas para que possamos fazer o nosso detox digital. Cada pessoa tem que definir seus próprios objetivos com base nos comportamentos atuais, mas estes exemplos servem de modelo e ponto de partida:

1 – defina o quanto pode

Estabeleça a quantidade máxima de tempo que pode ficar no telefone ou computador por dia. Se restringir, ao invés de banir completamente, é mais provável que você vai seguir a regra.

2 – vá devagar

Se você é muito dependente da tecnologia, comece impondo pequenos limites cada dia, e depois vá aumentando com o tempo. Isso ajudará a criar novos hábitos e facilitar o detox.

3 – mude um hábito de cada vez

Comece banindo telefones durante as refeições, depois proíba o telefone de entrar no quarto, depois se permita checar e-mail apenas a cada duas horas, depois aumente os intervalos, e por aí. Remova uma coisa de cada vez para ter resultados duradouros.

4 – diga a todos o que está fazendo

Quanto mais pessoas ficarem sabendo do seu detox, maiores as chances de você continuar nele. Quando você se compromete publicamente, tende a ter mais perseverança no que faz.

5 – não use seu telefone como despertador

Se você usar outra coisa tipo um rádio relógio tradicional ou telefone celular antigo sem internet, você evita a tentação de checar o Facebook, Instagram, Snapchat ou Twitter antes de dormir, ou no momento que você abre os olhos. Se você tem que usar o celular e não tem outra alternativa, então coloque-o no modo avião à noite e só volte a conectar pela manhã ou mais tarde.

6 – remova os e-mails completamente do seu telefone

Responder e-mails instantaneamente está cada vez mais comum, mas isso aumenta nosso nível de stress em casa e no trabalho. A gente fica achando que tem que responder imediatamente a cada mensagem importante que recebemos. Limite a possibilidade de checar e responder e-mails, acessando-os uma ou duas vezes por dia, no computador.

7 – elogie as pessoas na vida real

Quantas vezes você ‘curtiu’ coisas nas redes sociais hoje? Se habitue a elogiar as pessoas cara-a-cara.

8 – embarque em aventuras de detox digital

Uma vez por semana ou por mês, deixe seu telefone, tablet ou outro dispositivo em casa e saia em busca de aventura, seja empinado uma pipa no parque, navegando num barraco à vela, ou pedalando. Ou encontre algum lugar para passar o fim-de-semana sem Wi-Fi.

9 – controle seus aplicativos e exclua jogos

Pra reduzir a tentação de checar o telefone toda hora, personalize as preferências para que os aplicativos não mandem notificações a toda hora.

10 – faça uma pilha de telefones

Quando sair com um grupo de amigos, empilhe todos telefones no centro da mesa. O primeiro que pegar o telefone paga a conta!

O autor termina o capítulo com dicas para fazer bom uso das mídias digitais, se você resolver continuar usando. Por exemplo, pare de seguir (ou use a nova função de ‘mute’) quem não te inspira nem te motiva mais. Siga pessoas que te ajudem a atingir seus objetivos pesssoais. Interaja com as pessoas, crie vínculos com mentores, pessoas que você admira e que publiquem conteúdos que te façam uma pessoa melhor.

Dez argumentos para você deletar suas contas nas redes sociais agora mesmo

O livro do Jaron Lanier, com o título em inglês Ten Arguments For Deleting Your Social Media Accounts Right Nowmostra por que devemos sair das redes sociais. Coloco aqui um breve resumo desses dez itens, e adiciono alguns comentários meus. Sei que é complicado resumir um livro de 142 páginas em um post na internet, mas segue abaixo esta tentativa. Considero este assunto muito importante, dado os problemas que as redes sociais podem causar. Sei que a maioria dos leitores não vai sair do Facebook, Twitter ou Instagram imediatamente, mas fico satisfeito de colocar estes assuntos para debate, para que cada um tome suas próprias conclusões e decisões.

1 – Você está perdendo sua vontade própria

As redes sociais nos prendem através de um esquema viciante de modificação de comportamento. Estes sites usam os mecanismos de prazer como as recompensas psicológicas e a liberação de dopamina no cérebro, para que fiquemos checando o site para receber mais uma dose. Parecemos ser animais em gaiolas em um grande laboratório sendo submetidos a experimentos científicos, mas toda a sociedade está enjaulada. Com isso perdemos nossa vontade própria e livre arbítrio.

2 – Sair das mídias sociais é a melhor forma de resistência à insanidade dos nossos tempos

As redes sociais tentam fazer com que você pense que sem elas não haveria internet, celulares, ou grupos de apoio pra te ajudar nos momentos difíceis. Mas as pessoas sempre se comunicaram, organizaram-se em grupos e interagiram antes do Facebook ou outras redes. É possível sair e ter mais tempo para ter contato verdadeiro com as pessoas.

3 – As mídias sociais estão te tornando um babaca

O autor usa a metáfora do lobo solitário que, quando colocado em uma matilha, se vira contra os outros membros inferiores no grupo, e contra as outras matilhas. Conflitos antigos são ressuscitados e agravados pelas redes sociais. As pessoas ficam arrogaantes e agressivas. O design das redes sociais se baseia em sentimentos e comportamentos negativos.

4 – As mídias sociais estão minando a verdade

Existe uma falta de compromisso com a verdade. Memes viralizam e, mesmo se não são verdadeiros, acabam sendo aceitos porque são engraçados, ou porque se encaixam no que já acreditamos. Mentiras são divulgadas e vendidas como verdade se interessam a alguém ou grupo de poder.

5 – As mídias sociais estão fazendo tudo o que diz ficar sem sentido

O que você vê na mídia social é selecionado pelo algoritmo do site, para te engajar e fazer com que veja mais anúncios. Mas o conteúdo está fora de contexto, e não vemos o que procuramos mas o que o site quer mostrar. O número de perfis falsos, seguidores fantasmas e comentadores automáticos compromete a realidade das interações.

6 – As mídias sociais estão acabando com sua capacidade para empatia

Os algoritmos determinam o que vemos, e não sabemos o que as outras pessoas estão vendo porque o algoritmo está mostrando outras coisas a elas. E como estamos separados e distantes dos outros, perdemos a capacidade de entender as experiências pelas quais as outras pessoas estão passando.

7 – Mídias sociais estão te deixando triste

As redes sociais tentam nos convencer de que conectam pessoas e nos deixam felizes. Mas na verdade é o contrário que acontece. Varias pesquisas mostram que as redes sociais entristecem as pessoas e as isolam. E a comparação social piora esse quadro. O Instagram é o pior aplicativo para a saúde mental de jovens, gerando uma crise de saúde pública.

8 – Mídias sociais não querem que você tenha dignidade financeira

As redes sociais são gratuitas, mas pagamos muito com nossa dedicação, envolvimento e tempo gasto nas plataformas. Como não pagamos nada, não somos clientes, e sim o produto destes sites. Os verdadeiros clientes são os anunciantes. Contribuímos com conteúdo e serviços, que em outros tempos nos renderiam dinheiro, dando de graça para as redes sociais, muitas vezes sem saber, e as empresas estão lucrando com nosso trabalho.

9 – Mídias sociais estão tornando a política impossível

Governos de direita voltaram ao poder em diversos países recentemente: EUA, Áustria, Turquia, Índia, Itália e outras democracias. Líderes autoritários possuem nas redes sociais a plataforma ideal de campanha. Basta espalhar conteúdos que gerem o medo, preconceito, mentira, desinformação, e as pessoas são facilmente atingidas. Infelizmente os sentimentos negativos e agressivos ganham mais força nas redes sociais.

10 – Mídias sociais detestam sua alma

O aspecto mais importante das nossas vidas é a experiência, o momento vivido no agora, o presente, que é a pura expressão da vida, da consciência. Mas às vezes estamos tão absolvidos pela tela do celular que não estamos vivendo o que está ao nosso redor. Não vivemos o agora, no sentido pleno da vida, apenas somos usados para produzir conteúdo e postar nas redes sociais. Nossos amigos são obrigados a curtir, e nós temos que retornar o favor, num ciclo vicioso que prejudica a todos nós. As únicas beneficiadas são as empresas bilionárias que ganham o engajamento e a audiência. Anunciantes são obrigados a financiar as redes sociais para comprar um pouco da nossa atenção e tempo.

Ao terminar o livro temos algumas recomendações, como por exemplo:

Veículos autônomos e a confiança dos usuários

Atualmente estou trabalhando em um projeto de pesquisa envolvendo veículos autônomos, no departamento WMG da Universidade de Warwick. A intenção é entender como as pessoas percebem os veículos em termos de confiança, facilidade de uso, importância e experiência em geral. Sabemos que pessoas diferentes têm opiniões diferentes a respeito desses veículos. Portanto  é necessário entender a real aceitação ou resistência, e os motivos por trás dessa resistência, antes de tentar introduzir estes veículos para o grande público.

Veículos autônomos apresentam várias vantagens, incluindo mais segurança, menos poluição, menos tráfego, mobilidade para pessoas com deficiência e idosos, entre outras. Mas estes benefícios vão depender do nível de automação empregado, e da quantidade de veículos autônomos em circulação.

A Sociedade de Engenheiros Automotivos dos EUA definiu cinco níveis de automação para classificar estes veículos. Explico aqui estes níveis, que são importantes para se entender como as pessoas interagem ou vão interagir com estes veículos no futuro.

Nível 0

Sem automação nenhuma. O motorista é responsável por todas as atividades necessárias para se conduzir o veículo. Este é o caso de todos automóveis mais antigos.

Nivel 1

O veículo é responsável por uma atividade, em uma dimensão apenas. O veículo controla, por exemplo, a velocidade e frenagem. Outro caso é o tipo que controla a direção para os lados, como no controle de faixa. Estes tipos de automação já existem em veículos há alguns anos.

Nivel 2

Veículos com automação de nível 2 controlam duas dimensões mesmo tempo, frontal e lateral. O veículo é capaz de definir a velocidade e a direção. Alguns carros atuais já possuem estas funções. O motorista pode tirar a mão do volante e dos pedais pois o carro controla estas funções. Entretanto, o motorista precisa estar atento ao trânsito a todo o momento, e precisa ser capaz de retomar o controle imediatamente, se necessário.

Nivel 3

Veículos autônomos de nível 3 controlam a direção, aceleração e frenagem do carro, e o motorista não precisa ficar prestando atenção ao trânsito. O veículo toma conta dos aspectos da direção e de segurança, e vai informar caso uma intervenção seja necessária. Portanto, ainda é necessário ter um motorista capaz de dirigir o carro se preciso.

Nivel 4

Automação de nível 4 é quando o veículo controla todos os aspectos da direção do veículo, e não é necessário ter um motorista, nem mesmo ter os controles como volante e pedais. Mas neste nível, os veículos andam apenas por rotas conhecidas ou pré programadas.

Nivel 5

Veículos autônomos de nivel 5 serão capazes de lidar com qualquer situação em qualquer tipo de via, sem necessidade de uma pessoa a bordo, e sem a necessidade de que a via esteja num mapa. Apesar deste nível ser o que se pode chamar de automação completa, talvez sejam necessárias várias décadas até que os sistemas sejam capazes e confiáveis para executar esse controle.

O projeto que trabalho é chamado UK Autodrive, e testamos veículos de nível 4, ou seja, totalmente autônomos quando rodam em circunstâncias e locais determinados. Uma imagem do veículo, que chamamos de ‘pod’, está publicada no topo dessa página. Esta foto eu tirei quando um desses veículos foi trazido para o simulador de tráfego da universidade de Warwick.

Os estudos que estamos conduzindo envolvem experiências com o pod, seguidas de questionários para avaliar as preferências e problemas enfrentados. Como em todo bom experimento científico, temos grupos de controle e outros grupos onde testamos variáveis. Num estudo anterior foram avaliadas interfaces diferentes para controle do veículo, e perguntamos quais eram as preferidas, e por quê. Outro estudo avaliou como o comportamento do veículo afeta a confiança, em termos da velocidade e direção. Em breve colocarei aqui informações sobre as publicações acadêmicas que surgirem deste projeto.