Valorizando a lentidão

Comprei este livro há anos, onde o autor, Carl Honoré, apresenta uma celebração à vagarosidade, e introduz o pensamento Slow: Como um movimento mundial está desafiando o culto à velocidade (In Praise of Slow). Ironicamente, não tinha encontrado tempo pra ler, e só agora consegui ver do que se trata. Coloco aqui algumas das ideias apresentadas neste livro, que complementa bem o que tenho dito por aqui, que estamos ficando muito estressados com o excesso de tecnologia ao nosso redor.

O autor conta que teve a ideia do livro ao ler uma notícia dizendo que vários autores publicaram um livro de histórias infantis chamado ‘Histórias de ninar em um minuto’. Ele falava de uma coletânea de histórias clássicas que foram condensadas para serem lidas rapidamente. Com isso os pais não precisam mais gastar muito tempo com as crianças na hora delas dormirem. Apesar de parecer uma ótima ideia, na verdade é uma prova de que a vida moderna está muito rápida, e não temos tempo pra passarmos tempos relaxados com a família.

O stress causado pela pressa e necessidade de fazer tudo rápido afeta a saúde física e mental. Estamos sofrendo de hipertensão, ansiedade, insônia, depressão e várias outras sequelas do ritmo acelerado no qual nos colocamos. O autor propõe que fazer as coisas mais vagarosamente pode ser melhor, resultando em saúde melhor, trabalho melhor, negócios melhores, vida familiar melhor, exercícios melhores, culinária melhor, e sexo melhor.

É possível evitar levar a vida de modo rápido, controlador, agressivo, apressado, analítico, estressado, superficial, impaciente, ativo, e buscando a quantidade ao invés da qualidade. A lentidão proposta seria o oposto, de modo calmo, cuidadoso, receptivo, quieto, intuitivo, sem pressa, paciente, reflexivo, com qualidade ao invés de quantidade.

O autor cita diversos grupos de pessoas que sugerem a lentidão como sendo o estilo de vida adequado para combater o estresse da vida moderna. Essas recomendações vêm de pesquisadores, associações, grupos de ajuda, profissionais de saúde e também religiões. Mas ele deixa claro que não é contra o estilo de vida moderno. Ele defende um balanço, um equilíbrio entre coisas rápidas e lentas.

Um capítulo é dedicado a comida. Com tantas lanchonetes de fast food, as pessoas estão se alimentando com comida de qualidade duvidosa. Mas ao ganhar tempo, perde-se o prazer da arte culinária, e o mais importante, que é o processo de compartilhar uma refeição com outras pessoas. Pode-se apenas engolir comida para matar a fome e continuar no ritmo acelerado da vida. Ou, por outro lado, pode-se usar a hora da refeição como um momento para saborear os alimentos, e aproveitar este tempo para interagir com outras pessoas e viver bons momentos.

Outro capítulo trata de cidades, com o exemplo de pequenas cidades italianas que resolveram promover o estilo de vida slow, como slow food. Mas isso não quer dizer que estão indo contra a modernidade, mas que incentivam a tecnologia que melhora a qualidade de vida. Por exemplo, as prefeituras preferem ônibus elétricos, silenciosos e sem fumaça. Promovem também os alimentos orgânicos, produtos artesanais e feitos na região.

O autor fala ainda do corpo e mente, já que ‘mente sã, corpo são’. Tem também capítulos para a saúde e medicina, sexo, trabalho, lazer e família. O que o movimento Slow propõe é um meio caminho, juntando o estilo dos vilarejos italianos com o dinamismo da era da informação. O segredo é balanço.

Passar tempo com amigos e família não custa nada. Também se pode caminhar, cozinhar, meditar, amar, ler, almoçar na mesa ao invés de na frente da TV, e jantar sem ficar checando o celular. Evitar a pressa e a urgência é de graça.

Ao se fazer as coisas com calma, é possível aproveitar mais, e sentir mais prazer com o que fazemos na nossa vida.

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