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Um ano sem redes sociais: o veredito

Introdução

Em dezembro de 2018 resolvi sair do Facebook e do Instagram, e desinstalar os aplicativos do meu telefone. E fiz isso de uma hora pra outra, sem avisar ninguém, sem me despedir. Em janeiro de 2020 entrei novamente para avaliar como as redes sociais estavam, se algo mudou, ou se perdi alguma coisa. Coloco aqui uma análise desse ano sem Facebook e Instagram, avalio os prós e contras, e dou o veredito. Ressalto que estas conclusões são bem pessoais, baseadas na minha experiência apenas. Mas eu adiciono aqui um pouco de pesquisa e embasamento teórico para substanciar minha análise.

Razões

Os motivos para essa minha medida drástica estão explicados em páginas anteriores desse site. Uma delas explica os dez argumentos para deletar suas redes sociais, outra fala do design malvado, detalhando como estes sites e aplicativos evocam os pecados capitais, e outra explicando como os sites são projetados para condicionar a pessoa a engajar por mais tempo com o serviço, e com isso eles ganham mais dinheiro. Outros motivos incluem o gasto de tempo precioso. Quando a gente passa dos 40 anos de idade começa a reavaliar como estamos gastando nossos preciosos minutos do dia. É impossível uma interação rápida nas redes sociais como “entrar, ver, interagir e sair”, como disse Rodrigo Van Kampen no seu texto explicando o que aconteceu depois de um mês sem redes sociais.

Outros motivos incluem a negatividade existente nas redes. Como escrevi anteriormente, o Instagram é um ótimo exemplo de pecados capitais como o orgulho e a inveja reunidos numa só plataforma. Uma matéria recente no UOL também exemplifica esses aspectos negativos, focando na inveja: “Alguns postam coisas para causar desejo. Outros desejam. E assim segue a roda”, escreveu Nina Lemos.

Outro texto, publicado no blog do Christian Dunker, explora o fato de que os níveis de felicidade vem baixando nos últimos anos, e as tecnologias podem ser as responsáveis por essa queda. As mídias digitais sugam nosso tempo livre, com uma experiência de baixa qualidade de satisfação.

Dificuldade

Sair das redes sociais é uma ação inimaginável para algumas pessoas. Existem exemplos de pessoas que estão tão inseridas nestes sistemas que acham que é impossível sair. Alguns instagramers fazem da rede uma plataforma de divulgação de trabalhos, e outros são tão populares que conseguem viver de rendimentos apenas gerados pelo aplicativo. Mas para a maioria de nós, viver sem Facebook ou Instagram é mais fácil do que parece.

A minha saída foi das redes que eu usava mais frequentemente: Instagram e Facebook. Outras pessoas relatam que saíram também do Twitter e Youtube. Mas no meu caso, eu não usava muito estas redes mesmo. O Twitter eu uso apenas para fins profissionais, divulgando alguma publicação ou conferência que participo, abrindo o aplicativo raramente. No Youtube eu assisto apenas alguns vídeos sobre Snowboarding, para melhorar minha técnica, sem me deixar tornar vítima dos aspectos sociais do Youtube, como os comentários.

O que aconteceu

Nos primeiros dias eu agia por hábito devido aos anos de condicionamento. Eu destrancava o telefone e queria abrir o aplicativo do Instagram, mas o ícone não estava mais lá. E queria entrar no Facebook pra ver as notificações mas ao abrir o navegador e clicar no atalho, a página pedia o usuário e senha, aí eu lembrava que não era pra entrar. Mas resisti bravamente a estes hábitos e tentações, apesar de ficar rolando a lista de aplicativos de um lado pro outro procurando o que fazer.

Quanto notei essa procura por notificações, essa busca por coisas que não tinha acesso mais, passei a tentar ocupar meu tempo com atividades produtivas. Eu colocava o telefone de lado e ia fazer outra coisa. Pra quem mora sozinho e sem empregada, sempre tem coisa pra fazer, tipo cuidar da casa, da roupa, das plantas. Sobrou mais tempo para desenvolvimento pessoal, como ler livros e cuidar da saúde.

Mas tenho que confessar que também passei a gastar mais tempo com outras coisas pouco produtivas na internet, como lendo notícias em vários sites e em diferentes idiomas. Parece que foi um mecanismo para suprir a carência de informação, ou pra ocupar o tempo mesmo. E eu ia atrás de artigos da Wikipedia ou Google Maps pra conhecer mais sobre detalhes da notícia que li.

Como a produtividade durante o trabalho não aumentou, instalei no meu navegador o StayFocusd, que é uma extensão para gerenciar o uso de sites pouco produtivos e bloquear o acesso depois de um tempo. Configurei o sistema para permitir meia hora de notícias, sites de humor, Youtube, Wikipedia e vários outros sites. E quando vi que tinha pouco tempo, passei a fazer essa varredura de sites bem eficientemente. E meia hora é um tempo perfeitamente razoável.

Aprendi que poucas pessoas se importam com sua ausência, como dito pela Luana Hurami. Nas redes sociais seus amigos estão focados em si mesmos, eles se importam com o que postam e com o retorno que recebem. Muitas pessoas estão apenas respondendo a notificações, curtindo ou comentando na suas postagens porque apareceu para elas ali na timeline. Mas quantas pessoas realmente foram no seu perfil, e resolveram mandar uma mensagem diretamente para você? Essas poucas pessoas geralmente são aquelas mais próximas, que você já tem contato naturalmente de outras formas.

Como os amigos só vão interagir com você se você publicar textos e fotos, você fica com a obrigação de colocar alguma coisa para receber o retorno, sejam curtidas, comentários ou mensagens privadas. E com isso você está trabalhando de graça para a plataforma, criando conteúdo para outras pessoas ficarem engajadas também.

Em maio viajei com um amigo pra Croácia, com paisagens maravilhosas, seja da capital Zagreb, do interior com o parque natural de Plitvice, das praias como Bol, ou de cidades históricas como Split, Zadar e Dubrovnik. Tiramos algumas fotos destes lugares, mas em alguns momentos achei que a quantidade de selfies estava exagerada. Parecia que parte da viagem dele foi pra colocar fotos no Instagram, não foi pra curtir. Eram stories e fotos na timeline. Depois ele tinha que ver os likes, responder comentários e ver as visualizações de stories. Lá pela metade da viagem a memória do telefone estava cheia e tinha que ficar deletando foto, escolhendo qual que podia. Então, na minha opinião, virou um transtorno pra ele, numa obrigação de estar conectado no telefone. Provavelmente este esforço valia a pena pra ele, mas concluí que não era isso que eu queria pra mim.

Existem estudos a respeito de como as pessoas compartilham suas imagens na internet, e provam que elas tendem a colocar uma imagem mais fria, contida e idealizada nas redes devido ao medo do que os outros vão pensar. Isso faz com que até na vida real as pessoas que usam redes sociais fiquem mais comedidas com medo dos perigos de uma exposição negativa. Isso resulta em menos autonomia e liberdade de expressão no dia-a-dia.

Sempre achei interessantes aquelas fotos de concertos e festivais de música onde todo mundo está tirando foto e filmando ao invés de assistir. Talvez queiram registrar o momento para si, eternizando a experiência com uma foto, o que é válido. Mas em grande parte desses casos creio que querem mesmo é mostrar que foram ao show, divulgando para todos amigos, às vezes até mesmo em longas transmissões ao vivo.

Plateia no show da Lady Gaga filmando e tirando fotos com seus celulares

Reentrada

Este mês reinstalei o aplicativo do Instagram no meu telefone. Notei que imediatamente comecei a ter a preocupação e ansiedade de que preciso postar alguma foto para que as pessoas vejam que voltei. Estava focando em qual imagem ia publicar, e já que eu tenho muitas fotos de viagens, tiradas durante um ano inteiro, posso colocá-las. Mas depois lembrei que fotos antigas têm que ser publicadas durante um #throwbackthursday, então eu teria que esperar até quinta.

Eu abri também a minha conta do Facebook, e ao abrir notei que estava tudo quase igual ao que era antes. E rapidamente eu notei os motivos que me fizeram sair da rede um ano atrás. Alguns eram problemas do algoritmo, que não mostra coisas relevantes pra mim. A plataforma estava mostrando postagens de pessoas distantes, alguém que eu conheci em 2009 e nunca conversei, outro que eu conheci em um hostel em 2014 mas nunca interagi, e por aí vai. Mas os amigos mesmo aparecem só de vez em quando. Esta é uma estratégia da plataforma, como expliquei anteriormente. O sistema faz isso para que você fique mais engajado e role a página bastante pra baixo procurando quem te interessa. Tive que silenciar dezenas de pessoas que estavam recebendo muita prioridade na minha timeline até que ela ficou mais ou menos aceitável.

Outro problema não é culpa do sistema, mas dos meus amigos e contatos, devido às mensagens que eles resolvem publicar. Tem muito desabafo, ódio e rancor, e foco em coisas negativas, desde postagens pessoais até notícias catastróficas. Algumas postagens são realmente desagradáveis, e me espanto como umas pessoas acham que é uma boa ideia compartilhar isso para que todos amigos vejam.

E finalmente, as propagandas irritantes. Entendo que um serviço tenha que obter patrocíno para suas atividades. Mas os vídeos de certos produtos são irritantes também não relevantes para mim. E um dia eu caí na bobeira de clicar em um desses só para ver o site da empresa, mas a partir daí passei a receber mais e mais anúncios relacionados. Depois aprendi que dá pra excluir anúncios específicos da sua timeline, então ficou mais aceitável, com outras empresas aparecendo ao invés das propagandas chatas.

Veredito

Um ano sem redes sociais me ajudou a ver mais claramente a adicção criada por essas plataformas. Eles usam do nosso desejo natural de conectar com as pessoas para forçar um engajamento com o sistema. E com isso eles conseguem exibir mais anúncios e lucrar bilhões com isso. Compreendo estes mecanismos melhor, e, correndo o risco de parecer presunçoso, eu hoje acho que estou acima disso. Mas como qualquer adicção, é preciso auto-controle e vigilância constante para garantir um uso seguro, do que quer que seja.

A maior mudança na minha vida acho que foi reconhecer que não sou obrigado a ter redes sociais. Eu posso ter uma vida completamente normal, e ainda estar em contato com amigos, sem estar escravizado pela plataforma. E parece que os mais jovens estão evitando as redes sociais ou nem mesmo se cadastrando, como mostrado nessa reportagem.

Parte do desejo de checar as plataformas a todo momento vem do “medo de estar por fora”, do inglês FOMO – Fear of Missing Out. Mas com a velocidade e quantidade de informação disponível atualmente, é simplesmente impossível ficar por dentro. Então existe um movimento oposto, chamado de “alegria de não estar por dentro“, que preza a paz interior quando deixamos passar aquilo que não é importante. Um vídeo da BBC descreve como evitar o medo de estar por fora (em inglês).

Durante meu tempo fora eu notei que sentia falta do calor humano, que geralmente está em falta para alguém como eu morando sozinho na Inglaterra. No meu curto tempo reavaliando minha volta às redes, rapidamente reativei conversas com o crush, naquele jogo de dar e receber biscoito. Alguns que já fiquei e gostaria de ficar, outros que são apenas amores platônicos mesmo. É divertido mas são apenas brincadeiras pois a maioria deles estão a milhares de quilômetros de distância. Esse calor humano talvez seja uma manifestação da injeção de dopamina que recebemos ao notar que recebemos curtidas e mensagens. Então acabamos por colocar mais fotos para ganhar curtidas. E parece que quanto menos roupa, mais likes… Mas existem formas de engajar em conversas mais significativas com as pessoas. Talvez os próprios aplicativos possam ser a plataforma de conversas, mas de forma que não dependam dessa exposição pessoal, e da rolagem da timeline indefinidamente.

Creio que a conclusão final que cheguei é que posso ter as redes sociais para serem usadas como ferramentas de comunicação. Elas podem ser úteis para quando precisamos contatar amigos em algum lugar do planeta. Um exemplo é quando fui participar de uma conferência no Canadá. Existe uma forma de localizar amigos em uma cidade determinada. Basta primeiro mudar as configurações pessoais da sua cidade de residência para o local desejado, e daí ver quais amigos moram no mesmo local. O exemplo recente é que coloquei Toronto e notei que 8 amigos moram por lá, alguns velhos amigos que não conversava há tempos, e o Facebook foi uma boa forma de reativar este contato.

Dicas

Para quem tem algum conhecimento em programação CSS, existe uma forma de ocultar a timeline no seu navegador, quando usa o computador para acessar o Facebook. É possível usar uma extensão do navegador chamada Stylus, e com ela você pode editar o conteúdo que é exibido, portanto é possível ocultar toda a timeline do seu Facebook. Assim, você entra e consegue ver apenas a barra superior onde estão as notificações, que é apenas o que precisamos ver.

Página inicial do Facebook com a timeline removida, graças ao plugin Stylus para Chrome

Outra extensão que pode ser útil é a RescueTime, uma forma gratuita de medir quanto tempo gasta em cada página e também nos programas do seu computador, e com isso avaliar sua produtividade. Formas semelhantes existem nos sistemas operacionais de telefones celulares, e em algumas versões é possível ver no próprio aplicativo do Instagram por quanto tempo o usamos por dia.

Outras dicas podem ser vistas na página que escrevi sobre o livro das dicas do Tom Daley, como por exemplo reduzir o número de aplicativos no telefone, deixar o telefone em casa algumas vezes quando sair, e não checar notificações de manhã. Uma coisa que eu faço as vezes e que me ajudou bastante a ser eficiente pela manhã é deixar o telefone em modo avião quando for dormir, e só reativar a conexão quando sair de casa. Notei que consigo aprontar, tomar café, etc, muito mais rapidamente.

Outras dicas são: bloquear as notificações, definir horas do dia para checar aplicativos, e planejar o que vai fazer antes de destrancar o telefone. Se não, acabamos querendo checar o telefone a toda hora, por exemplo quando estamos num bar com amigos. Isso leva a propostas inusitadas para evitar essa compulsão, como o copo offline, que obriga você a deixar o telefone na mesa. Ou a pilha de telefones (phone stacking): todos amigos colocam os telefones no meio da mesa, e quem pegar o telefone primeiro paga a conta.

Um amigo escreveu na descrição do WhatsApp dele que só lê mensagens três vezes por dia, de manhã, na hora do almoço e à noite. Com isso os contatos não ficam aflitos esperando uma resposta pois sabem que pode demorar, e ele não fica aflito para checar o telefone pois se for para receber algo urgente, a pessoa vai procurar outra forma de contato. Este amigo é o mesmo que recomenda planejar o que pretende fazer no telefone ou no aplicativo, para diminuir as chances de se perder e ficar horas rolando as timelines. Mas ele mesmo reconhece que é difícil essa disciplina. Ele não está sozinho, já existe o conceito de “device vortex”, o redemoinho do aparelho. O NN Group exemplifica este fenômeno: “você pega seu telefone para enviar uma mensagem pra um amigo. Já na tela inicial, você vê uma notificação de que alguém curtiu sua postagem. Enquanto rola pela timeline você vê um anúncio da sua marca de tênis favorita. Eles estão com uma ótima promoção, e você precisa de um novo par de tênis pra academia! Quinze minutos mais tarde você está no aplicativo do banco conferindo seu saldo, e você esqueceu completamente de mandar a mensagem pro amigo”.

Conclusão

Se tem uma coisa que aprendi neste ano sem redes sociais, é que não podemos ficar rolando a timeline, seja no Facebook, Instagram, Twitter, ou qualquer outra rede social. A razão é simples: o algoritmo não quer que você veja o que você procura, e sim o que vai te fazer ficar rolando o feed por mais tempo. A não ser que você use sua rede social para trabalho e tenha apenas umas poucas e selecionadas pessoas ou organizações que você segue por motivos profissionais. Pra mim, é desagradável e um desperdício de tempo.

O que pretendo fazer, depois dessa experiência, é diminuir o uso de redes sociais ao mínimo possível. Vou manter os canais abertos (por enquanto) para comunicação, mas não vou postar muitas fotos, nem entrar frequentemente. Se eu não publicar conteúdo, não receberei interações, portanto não terei a necessidade de checar as notificações. Mas tendo meu perfil ativo vai permitir o uso da plataforma como uma ferramenta de comunicação, quando necessário. E é isso que as redes sociais dizem ser, e é para isso que devem ser usadas, para comunicarmos com amigos quando necessário. Talvez eu mude de ideia depois, mas por enquanto é isso que eu acho adequado pra fazer atualmente.

Atualização – pandemia

Numa situação de pandemia como a que estamos vivendo no momento, quando precisamos exercitar o distanciamento social, as redes sociais virtuais acabam sendo instrumentos para proporcionar os momentos de interação interpessoal que nós humanos tanto necessitamos. Reconheço que atualmente estou de volta ao Facebook e Instagram. Mas continuo recomendando que estas plataformas sejam usadas apenas como ferramentas de comunicação. Devemos fazer uso desses sites para ficarmos mais próximos de quem gostamos, tendo conversas diretas e compartilhando os interesses mútuos. Mas reforço que devemos nos proteger contra os recursos de condicionamento e adicção presentes nestes sites. Portanto tento usar mais as mensagens diretas, e rolar menos a tela. Com isso converso diretamente com amigos, ao invés de receber conteúdo aleatório disponibilizado pelo algoritmo.


5 comentários em “Um ano sem redes sociais: o veredito”

  1. Amei, brutalmente honesto e cheio de links (os quais eu fiquei com vontade de entrar em todos!). Tenho uma dúvida: vc disse que os aplicativos se “aproveitam” da nossa necessidade básica de se conectar. Durante seu ano de jejum instagramático, como você lidou com essa necessidade?

    E tenho um desafio: os aplicativos não mostram o que a gente quer ver. Já tentou a experiência de se perguntar antes de entrar em um aplicativo “o que eu REALMENTE gostaria de ver aqui?”. Qual conteúdo eu gostaria de ler? A gente nunca faz isso né? Apesar de termos interesses e propósitos em tudo que fazemos. Eu ainda não consigo fazer isso não, mas de vez em quando tento rs

    1. Olá Marcos, é difícil, mas substituí os contatos nas redes sociais por contatos reais. Fiquei mais próximo da minha família, que mora cerca de 1h de distância. Visito eles quase todo fim-de-semana. E quando queria falar com alguém ou saber das novidades dos amigos distantes, eu mandava um WhatsApp diretamente pra eles, perguntando como estão as coisas. Alguns amigos-chave davam o balanço geral da turma hehe.

      A sua segunda pergunta me lembrou do conceito do Vortex (o Redemoinho), que adicionei agora no post acima. É ótimo planejar com antecedência o que quer fazer num aplicativo, mas isso nem sempre é possível, pois somos sugados pelo redemoinho das notificações. Elas ganham prioridade, temos que ler e agir em resposta a estas notificações na hora, e quando vemos, esquecemos do que tínhamos que fazer em primeiro lugar.

  2. exatamente. muitas vezes esqueço pra que tinha entrado. vou ver esse vortex. no fim das contas estamos falando de disciplina né? mas o excesso de disciplina também pode ser um vício !!

  3. Achei extremamente sensato todo o relato e as conclusões da sua experiência. Com certeza estamos sendo manipulados por meio da nossa necessidade de contato – mesmo que seja efêmero e artificial – e dos “shots” de serotonina que o nosso cérebro nos dá quando somos elogiados e invejados por outras pessoas. Em vários momentos eu me vejo rolando o feed sem motivo, buscando um sentido, algo para pensar sobre ou para parar de pensar, na eterna busca “classe mediana” de matar o tédio. Tentei fazer uma “limpa” no Facebook e no Instagram, deletando fotos e desfazendo amizades que nunca existiram, contudo acho que já está na hora de fazer tudo novamente ou quem sabe tomar uma medida mais radical e simplesmente deletar os aplicativos. As propagandas estão no nível do insuportável, o que por um lado é até bom, pois gera uma certa preguiça, diminuindo o desejo de rolar o feed. Acredito que a solução é impedir que os aplicativos te façam de escravo, e sim fazer deles seus empregados. Mas haja autocontrole, inteligência e humildade para conseguir isso.

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